No começo do mês, dei uma palestra aqui em Porto Alegre, no evento do PHP RS, falando sobre lojas virtuais e plataformas open source, isto é, de código aberto, que qualquer pessoa pode obter e modificar, à vontade. Para aqueles que não puderem participar, aqui vai um resumo do que apresentei para o público.

Lojas virtuais open source - imagem: reprodução

A primeira coisa a se ter em mente é que na maioria dos casos não vale a pena desenvolver uma plataforma para lojas virtuais do zero. Normalmente, temos uma tendência a achar que lojas virtuais são “sites um apenas pouco mais complexos” e que “com poucas horas de serviço, podemos montar um sistema novinho em folha”.

Montar um sistema de lojas virtuais envolve muito mais coisas que as páginas que vemos na frente de loja: é necessário ter mecanismos para gerenciar o catálogo de produtos, controlar os clientes, gerenciar estoques e criar e editar cupons de descontos, entre tantas outras coisas. Isso é complicado, toma tempo e muitas linhas de código.

Portanto, só vale a pena desenvolver algo do zero se você estiver fazento um trabalho para a faculdade ou quiser aprender na raça. Nesses casos, sou o primeiro a encorajá-los nessa jornada. Em todos os outros casos, é muito mais simples e produtivo buscar uma plataforma pronta e basear seu trabalho sobre ela, trabalhando para aperfeiçoá-la.

Depois disso, é importante avaliar quais são as opções disponíveis no mercado. O meu foco foi as plataformas líderes e escritas em PHP, mas você não precisa se prender a isso. Procure entender como elas foram desenvolvidas, se usam um framework como base, se têm uma empresa por trás e qual a força e o engajamento da comunidade. Se uma plataforma está em declínio, se não é atualizada constantentemente, se sofre com problemas de segurança, é melhor você procurar um pouco mais ou ter certeza de que pode assumir a correção de todos esses erros e atualizações.

Entre essas plataformas, estão:

1) WooCommerce

Desenvolvido como um plugin para WordPress, tem seu crescimento ancorado especialmente na força de seu hospedeiro. Ainda assim, é um bom sistema para pequenas e até mesmo médias empresas, que  não precisem de recursos muito avançados. Deve-se ter em mente que é um acessório, não uma ferramenta desenvolvida por completo como um e-commerce, mas que pode ser a saída para operações de baixo custo.

Está relativamente bem adaptada ao Brasil, com módulos de integração à maioria dos meios de envio e pagamento comumente utilizados por aqui.

2) Magento Commerce

O Magento foi por alguns anos a plataforma de comércio eletrônico mais popular, respondendo por 1/3 das lojas em atividade no mundo. Foi a primeira plataforma de sucesso, crescendo muito com base em suas características, que até hoje são atuais e ditam o mercado, como os atributos e o esquema de múltiplos sites. Entretanto, de dois anos para cá vem perdendo força e custa a dar sinais de que poderá recuperar sua posição de vanguarda.

A versão 1 do Magento continua sendo muito utilizada e é um ótimo ponto de partida para sua loja. A oferta de módulos e temas é enorme, mas é preciso ter em mente que muitos códigos não seguem a padronização oficial e por conta disso, uma série de problemas é encontrada se você não souber o que está fazendo.

Já a versão 2 segue sendo uma incógnita, com poucos módulos disponíveis e, até essa data, sem que módulos de integração aos principais meios de envio e pagamento brasileiros tenham sido desenvolvidos.

3) PrestaShop

A meu ver, o PrestaShop é o sistema que desponta como a próxima grande opção do e-commerce mundial. Ainda que seja mais velho que o Magento, ele levou muito mais tempo para atingir um estado maduro (na minha opinião, chegou nesse estágio na versão 1.6, a atual) e a empresa está trabalhando bastante em um novo sistema, baseado no Symfony, a ser distribuído ainda em 2016. A versão atual tem uma boa oferta de módulos para o Brasil e a vantagem é que a maioria deles é vendida diretamente no site da empresa, após ter passado por uma revisão de código e boas práticas.

Vale a pena dar uma olhada em outras três plataformas, ao menos como curiosidade: VirtueMart, instalada sobre o Joomla; OpenCart, uma plataforma também popular e tradicional; e o Thelia, uma nova plataforma, desenvolvida sobre o Symfony.

Plataformas open source para lojas virtuais
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  • Flavio Renato

    Theli eu ainda conhecia. Tenho obtido êxito em Prestashop. OpenCart nõ fica atrás não, bem flexivel e com diversos módulos para o Brasil.