Está em dúvida como escolher uma plataforma para sua loja virtual? Este tutorial é destinado a apresentar os principais pontos sobre essa questão e está dividido em quatro partes. Você também pode buscar outros artigos sobre plataformas de lojas virtuais aqui no blog.

Depois de ter visto sobre o funcionamento de uma loja alugada, é importante que você tenha em mente como funciona uma loja própria, quando ela pode ser usada, o que você precisa preparar antes mesmo de começar a pedir orçamentos e que cuidados são necessários para que você não troque seis por meia dúzia.

muro em construçõa - imagem: Alistair Berg/Digital Vision

3) Lojas Próprias

Tecnicamente, uma loja própria é sua. Você tem a posse dela, sua propriedade e pode fazer dela o que bem entender. Digo tecnicamente pois como mostrarei ao longo dessa parte do tutorial, se você não tomar alguns cuidados poderá ter uma loja que apesar de ser chamada de própria, não permite que você se mude. Aliás, essa é a grande vantagem de uma loja virtual própria: a mobilidade.

Diferente de uma casa ou apartamento, que você compra e não pode simplesmente colocar em cima do caminhão e levar para outro lugar (parênteses, se você é do sul do Brasil, sabe que é comum encontrar casas de madeira sendo transferidas de um lugar para outro em cima de caminhões, mas não é dessas casas que estamos falando), uma loja própria pode ser transferida de um servidor para outro. A propriedade em questão é sobre o código, os bits e bytes que fazem sua loja e não sobre o servidor fisicamente falando.

Se há uma palavra para definir uma loja própria, essa palavra é flexibilidade. Como a loja está instalada em um servidor próprio, no qual você tem acesso, você pode fazer as modificações que desejar. Isso não significa que será barato ou pior, que não custará nada, como muitos são levados a acreditar ao aprenderem que open source é sinônimo de gratuito. Os principais pontos que você deve ter em mente ao preparar sua loja virtual própria são:

  • Antes de pensar em fazer orçamentos, defina exatamente quais são os recursos necessários para sua loja virtual. Determine os motivos pelo qual você precisa de uma loja própria e não pode simplesmente utilizar uma loja alugada. O simples fato de que você quer ter “algo pra chamar de seu” não é razão suficiente para isso. Pense em quais customizações você precisa que não são atendidas em sistemas fechados ou quais controles você deseja ter.
  • Pesquisa plataformas open source como ponto de partida para sua loja. As mais comuns são o WooCommerce, o Magento e o PrestaShop. Lembre-se que o fato de ser open source não quer dizer que é de graça e você precisará pagar tanto quanto pagaria em plataformas de código fechado.
  • Falando nas plataformas fechadas, é um tanto quanto difícil defini-las como lojas próprias, ainda que muitas se vendam dessa forma. Como elas não são abertas, você não tem tanta flexibilidade como teria em plataformas abertas e, muitas vezes, acaba preso ao servidor indicado pelo desenvolvedor ou até mesmo a uma conta na própria empresa, sem poder sair.
  • Entendendo quais são as plataformas que podem ser utilizadas, comece as cotações. Procure nivelar a busca, de modo a comparar maçãs com maçãs e laranjas com laranjas. Assim como nas lojas alugadas, existem opções para todos os gostos e bolsos.
  • Nessa linha, avalie exatamente todos os custos que estão envolvidos e exatamente o que será entregue. Faça com que os itens estejam claramente em contrato e não permita que coisas sejam ditas “de boca”, especialmente se estiver lidando com empresas maiores onde a separação entre comercial e produção é nítida. Quem irá desenvolver não é quem vendeu.
  • Durante a execução dos serviços, tenha um ponto de contato fixo na empresa de desenvolvimento e faça ao menos um call semanal. Não é preciso horas e horas de conversa, basta um call pelo Skype ou pelo Whats App para que vocês verifiquem o que foi feito e alinhem as tarefas para os próximos sete dias. Isso fará a diferença no final do projeto.
  • Por último, tenha ciência de que os dois lados têm trabalho. Ao mesmo tempo em que os desenvolvedores trabalharão para implementar as funcionalidades, há uma dezena de itens que o lojista deve providenciar e que não estão incluídos no contrato, como produtos, imagens, textos etc.

Recursos necessários

Lembre-se que em uma loja própria, a manutenção do espaço onde ela estará armazenada é por sua conta. Isso significa que você deverá ter um mínimo de conhecimento – ou alguém que tenha – para gerenciar a conta, os recursos de servidor disponíveis e possíveis manutenções. Para uma loja virtual, sou bem categórico em falar: esqueça contas compartilhadas e contrate ao menos uma VPS.

Existem boas opções de hospedagem fora do Brasil e, mesmo que o preço seja cobrado em dólares, ainda assim o preço compensa e o atendimento é muito superior à média dos serviços de atendimento brasileiros. Não digo que você não precise falar um mínimo de inglês, mas normalmente quem tem conhecimento nessa área consegue se comunicar com os times de suporte técnico no exterior.

Cuidados para que a loja seja realmente própria

Como citei antes, é preciso atenção nos contratos para garantir que você não compre gato por lebre. Muitas empresas supostamente vendem lojas próprias, mas se escondem em cláusulas obscuras no contrato para não entregarem o código-fonte e não permitirem que seus clientes decidam seus rumos. Uma das situações é bastante óbvia: o caso das plataformas com código fechado.

Uma vez que a plataforma tenha o código fechado, você só terá duas opções: usá-la no servidor da própria empresa desenvolvedora ou utilizar um código criptografado, sobre o qual você conhece muito pouco. Em ambas, sua flexibilidade estará limitada e você deve ter muita atenção aos contratos, para garantir que sua loja própria não seja apenas mais um aluguel.

Do outro lado, há empresas que desenvolvem lojas sobre plataformas open source que escondem um pequeno truque: tudo o que for desenvolvido sobre a plataforma não é aberto. Isso quer dizer que você tem direito a transferir para outro servidor tudo o que for relativo ao código original mais o banco de dados. Todas as modificações e customizações feitas, seja na parte visual, seja em funcionalidades, segue fechado, de propriedade da empresa. Dessa forma, você é dono apenas de metade da loja.

Se isso estiver claro no contrato, é perfeitamente legal. O problema é que infelizmente isso não costuma ficar claro no momento da assinatura. Depois de algum tempo, as frustrações aparecem. Portanto, olho vivo na hora de escolher a empresa de desenvolvimento para “o seu pedacinho de chão virtual”.

Escolhendo a plataforma de lojas virtuais – parte 3/4
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