Está em dúvida como escolher uma plataforma para sua loja virtual? Este tutorial é destinado a apresentar os principais pontos sobre essa questão e está dividido em quatro partes. Você também pode buscar outros artigos sobre plataformas de lojas virtuais aqui no blog.

A primeira opção que vamos avaliar são as lojas alugadas. Você já sabe que uma loja alugada é um espaço contratado em um provedor, pago por  período (seja mensal, semestral, anual), em que você terá sua loja virtual funcionando e pode fazer diversas configurações – mas não todas. Assim como em uma casa alugada, se você sair do imóvel normalmente perde todas as benfeitorias que tenha feito e só consegue levar o que seja móvel. Ainda assim, é uma boa opção quando você quer testar o mercado e não quer investir uma soma maior de dinheiro em uma loja própria.

2) Lojas Alugadas

Pontos a avaliar

O mercado oferece inúmeras opções de lojas virtuais alugadas, da mais simples à mais complexa. Existem lojas virtuais alugadas que são mais caras que muitas lojas próprias e isso depende da quantidade de recursos e o formato de contratação. A maior fonte de desilusões em relação ao assunto acontece por falta de informação do lojista, que esperava uma coisa e acaba recebendo outra, descobrindo isso muitas vezes quando está preso a um provedor, sem conseguir sair dele.

Lojas Virtuais Magento - imagem: Ken Seet/Corbis

Então, antes de qualquer assinatura de contrato ou clique no botão Contratar, faça uma pesquisa e levante os seguintes pontos em relação a seu provedor de lojas virtuais alugadas:

  • Ter uma loja alugada não é um casamento em que vocês prometem ser fiéis até que a morte os separe. Você deve pensar em quais são os passos necessários no caso de divórcio, seja ele consensual ou litigioso. Entenda exatamente o que pode ser retirado da loja virtual no momento de sua saída e em que formato isso é entregue, bem como se há custos para isso. Ah, tudo deve estar em contrato, de maneira clara. Busque também por reclamações de clientes que já deixaram a empresa. Se encontrar muitas queixas de antigos clientes reclamando que perderam tudo que tinham em suas lojas ao saírem, tenha os dois olhos abertos.
  • Verifique se a empresa utiliza algum software open source como base para sua própria plataforma e se os dados podem ser utilizados de maneira fácil em lojas próprias. Por exemplo, se seu candidato a provedor utiliza o Magento ou o PrestaShop como base, a exportação de dados como produtos, clientes e pedidos permitirá que você monte uma loja utilizando a mesma plataforma. Não é 100% garantido, mas as chances de compatibilidade crescem bastante.
  • Se a empresa não usa um software aberto como base, avalie o quanto a empresa investe em P&D, isto é, na evolução de sua própria plataforma. Isso pode ser captado avaliando a velocidade com que a empresa implementa novas funções e o quanto essas novas características se traduzem em benfeitorias ao lojista. Há empresas que não têm estrutura para seguirem incrementando seu próprio produto, o que faz com que fiquem defasadas em poucos anos. Por outro lado, há empresas que lançam novas funções toda semana, mas não conseguem manter um mínimo de confiabilidade, quebrando as coisas quando novas funções vêm à luz.
  • Novamente, atenção ao que dizem os outros clientes especialmente nas crises. No dia-a-dia, uma loja virtual pode ser estável. A linha que separa os homens dos meninos passa no momento em que um servidor cai, uma loja é invadida ou uma falha grave é descoberta. Investigue como a empresa se protege, quais as camadas oferecidas para contenção de incêndios e como ela age quando isso acontece.
  • Compare maçãs com maçãs e laranjas com laranjas. Não dá pra comparar serviços diferentes e chegar a uma conclusão. Para isso, você precisa saber quais são os recursos que sua loja necessita. Tendo esses parâmetros, você pode selecionar os planos que estejam em linha com essas necessidades.
  • Certifique-se de que o registro de domínio esteja em seu nome, especialmente se for um registro brasileiro. Portanto, você deve ter sua própria conta no Registro.br e não há necessidade de que o provedor tenha acesso a esses dados por mais tempo do que o necessário (quando solicitado) para configurar o domínio. Nos casos em que o próprio provedor tenha registrado o domínio, você pode solicitar o acesso à sua conta no Registro.br e desvinculá-lo quando desejar.

Opções de fornecedores

Invés de dar nomes e sugestões de fornecedores, prefiro falar um pouco sobre os tipos de fornecedores, de modo que você possa fazer uma pesquisa e avaliar com seus próprios olhos qual o melhor provedor para o seu caso específico. Nenhum provedor é o “certo” ou o “errado”, mas cada um pode ou não se adequar àquilo que você está procurando.

  • Os muito baratos – se você pesquisar, encontrará uma série de provedores oferecendo lojas virtuais abaixo de R$ 25,00 por mês. Por abaixo, entenda que existem até mesmo ofertas de lojas virtuais gratuitas, em que você tem sua loja sem pagar nada por isso. Esses planos baseiam-se na ideia de que sendo um cliente pequeno, você pode crescer e quando crescer, poderá pagar por um plano mais caro. Esses planos mais caros sustentam a empresa. Além disso, planos baratos envolvem limites de produtos e comissões sobre vendas.
  • Os baratos – eles têm um bom número de funcionalidades nativas, mas ainda são voltados para lojas com pouca visitação. Seus valores variam entre 25 e 100 reais.
  • Os baratos que saem caros – na esteira dos dois itens anteriores, alguns provedores limitam tanto suas funcionalidades que vocês não conseguem fazer muita coisa sem contratar uma série de adicionais. Por exemplo, o domínio próprio ou um meio de pagamento alternativo. Nessas horas, você percebe que o custo é muito maior do que o esperado e que não consegue mais sair sem perder tudo.
  • Os razoáveis – a maioria dos fornecedores está nessa faixa, entre 100 e 500 reais, oferecendo planos com diversas funcionalidades e um bom campo de ação, com customizações em um nível que atende à maioria das lojas virtuais. Nessa faixa, você deve decidir com base nas avaliações do tópico anterior.
  • Os alugados de luxo – acima de R$ 500,00 existe um mercado por lojas já estáveis e que precisam de mais recursos, seja produtos, seja servidor. Normalmente são empresas que têm confiança no provedor, pois quando há um rompimento, as lojas desse patamar migram para uma loja própria.

Como contratar

Se não todos, posso dizer quase todos os provedores de lojas alugadas oferecem um período de trial, onde você pode testar o sistema sem pagar nada. Normalmente, esse período varia entre 7 e 30 dias e pode ser estendido se você demonstrar que realmente tem interesse na contratação. Utilizar esse período de testes é fundamental para sua escolha, mas também pode ser uma armadilha. Você pode acabar com uma série de ferramentas sem condição de compará-las e gastando tempo em algo que não será útil.

Portanto, antes de contratar trials, faça uma visita aos sites das empresas e filtre 3 concorrentes conforme o que falamos antes: valor dos planos x funcionalidades oferecidas x requisitos que sua loja precisa. Depois disso, veja se as empresas oferecem uma loja de testes, com acesso livre, para que você já tenha um primeiro contato com a ferramenta. Avalie também como é a documentação da plataforma, especialmente em vídeo – e procure assisti-los para ver como é a plataforma em ação, segundo seus desenvolvedores.

A partir daí, tenha seu conteúdo à mão e eleja três plataformas para fazer os testes, começando por aquela que você acha que é a candidata mais fraca. Sim, se você começar pela mais forte, só verá defeitos nas demais, enquanto começando pela mais fraca, tenderá a uma escalada natural e uma facilidade em resolver as coisas nas plataformas mais completas. Programe-se para fazer os testes nas três plataformas no mesmo dia e anote suas impressões.

Com a plataforma escolhida, faça um teste completo para ver se ela realmente atende às suas necessidades. Pense em todos os casos com os quais você trabalhará e valide o sistema. À medida que encontrar dúvidas, teste o atendimento da empresa e veja o quanto eles são rápidos e claros nas respostas. Minha experiência diz que se nem na hora de vender eles sabem ser eficientes, não será na hora em que você precisar de um suporte já como cliente.

Por fim, contrate a plataforma desejada, faça as configurações e comece a vender! Ok, não é tão simples, mas esse passo-a-passo foge do escopo desse tutorial.

Quando sair

Chegará uma hora que sua empresa cresceu demais e seu provedor não está dando conta de acompanhar seu crescimento. Ou o negócio não deu tão certo quanto você esperava e você precisa ir para um lugar mais barato. Ou a operação não deu certo e você está fechando. Ou você quer ser o dono da tão sonhada loja  própria. Nessa hora, cada um para seu lado.

  • Converse com o provedor e verifique como você pode retirar os dados e o que pode ser retirado. Confronte essas informações com o que consta em seu contrato.
  • Não pense que basta pegar os dados exportados e uma nova loja estará funcionando. É preciso construir uma nova loja primeiro. Se você está indo para outro provedor alugado que utiliza a mesma plataforma, provavelmente eles saberão o que fazer. Se você está construindo uma loja própria, deve avaliar o que fazer com seus desenvolvedores. Se está fechando a loja, procure se certificar de que os dados estão em XML ou CSV, pois são um formato onde há maiores chances de serem lidos por outras plataformas no futuro.
  • Reforço: se você estiver fechando a loja, ainda assim obtenha os dados que forem possíveis e guarde-os em local seguro. Se você está fechando hoje, pode querer abrir de novo amanhã e isso será muito útil.
  • Cuide para que os endereços sejam mantidos, de modo que você minimize a perda de ranking nos buscadores. Se sua plataforma anterior não tinha suporte a URLs amigáveis, verifique com seu novo provedor como é possível construir uma tabela de redirecionamento. O mesmo é válido para qualquer mudança de endereço.
  • Em nenhuma hipótese simplesmente abandone seu provedor. Comunique-o de que está encerrando as atividades e pague todos os débitos. Infelizmente, muitos lojistas optam por simplesmente deixar de pagar, esquecendo que mesmo que um serviço seja cancelado por falta de pagamento, o débito ainda está lá.
Escolhendo a plataforma de lojas virtuais – parte 2/4
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