Lutadores - imagem: Nice One Productions

Sim, já falei diversas vezes no blog (alguns dos links estão no final desse post) e já fiz uma palestra sobre os desenvolvedores que somem (está disponível no Youtube do Meet Magento) mas acho que sempre é bom voltar a esse assunto, pois sempre há velhas coisas a esclarecer de um jeito novo. Trabalho com Magento desde o começo e mesmo com tanta divulgação e tanta informação pela internet (de graça, pra quem souber procurar), ainda há lojistas que reclamam de seus desenvolvedores e desenvolvedores que reclamam de seus lojistas.

Não quero dizer que o mundo perfeito pode ser atingido – eu tomo diversas precauções na hora de vender os meus serviços, de fazer os contratos e de tocar os projetos e mesmo assim há clientes que saem insatisfeitos com o meu trabalho. O ponto é que parece que não estamos aprendendo com nossos erros e repetimos sempre as mesmas histórias. Se pudermos pegar isso de uma forma objetiva, talvez possamos resumir todo o problema a um único ponto: a dificuldade em definir de quem é cada uma das responsabilidades. Portanto, lojistas e desenvolvedores, antes de assinar o próximo contrato ou de entrar na próxima reunião em um projeto já existente, reflitam sobre esses pontos.

1) A importância de um contrato escrito e assinado

Um contrato não precisa ser um documento com 10 páginas mas não dá mais pra definir um serviço apenas em uma conversa (cara a cara, por telefone, por Skype, por e-mail, o que quer que seja). A oferta do serviço deve estar no site do desenvolvedor ou da empresa e precisa ser formalizada em um papel claro e específico, assinado por ambas as partes. Um contrato não pode apenas dizer “desenvolvimento de loja virtual” mas sim trazer item a item o que será feito e de quem é a responsabilidade por cada parte do projeto.

Nesse contrato, é preciso também definir os prazos gerais (ao menos o total do projeto), os valores a serem pagos, com suas datas e quais as garantias. Aliás, garantias são um ponto interessante e que os dois lados precisam entender: não existe garantia eterna. Muitos desenvolvedores reclamam que seguem dando suporte depois de meses de operação por coisas que não estão mais relacionadas com o desenvolvimento inicial assim como lojistas reclamam que desenvolvedores não atendem mais o telefone. O contrato deve trazer tudo isso bem claro.

2) O projeto precisa estar no papel, com prazos e responsáveis

Assinado o contrato, é preciso formalizar o projeto. Você não precisa ter a totalidade das tarefas definidas desde o princípio (até porque novas tarefas surgirão a todo instante) mas é preciso ter os grupos fechados e com suas datas. Vocês devem saber quanto tempo levará a coleta de informações mínimas para o começo do projeto, quando será a contratação do servidor e a instalação do software, quanto tempo levará o desenvolvimento do tema e a construção do catálogo de produtos, quando os métodos de envio e pagamento devem estar contratados e instalados, quanto tempo levará o pré-operacional. Isso precisa estar claro e à vista de todos.

Há vários serviços online que permitem esse tipo de gerenciamento, muitos deles de graça. O maior problema não é ter a ferramenta mas sim a disciplina de usá-la e atualizá-la. Para aqueles que dizem que é perda de tempo usar um gestor de projetos, eu afirmo que a perda de tempo está na confusão que a ausência do sistema de gestão de projetos traz. Além disso, se não há prazos e responsáveis definidos, todos fazem o que querem.

3) Os dois lados devem cumprir os prazos

Não são só os desenvolvedores que precisam cumprir os prazos, mas também os lojistas. Se você, lojista, iniciou o projeto de sua loja virtual, saiba que isso consumirá tempo e a falta dele não é desculpa para não entregar sua parte. O desenvolvedor estará esperando pelos itens prometidos e a falta deles fará com que o projeto pare. Portanto, façam uma reunião semanal durante o desenvolvimento – meia hora basta – e alinhem constantemente o que vocês devem fazer e o que está atrasado.

4) Desenvolvedores não têm que cuidar do cadastro de produtos

Desenvolvedores são desenvolvedores, não são analistas de marketing ou de negócio e não entendem do produto que você, lojista, vai vender. Achar que basta contratar a loja virtual e ela já virá com os produtos é um grande engano e custará o seu sucesso. Portanto, antes de começar a fazer a loja, organize seus produtos e comece a montar conteúdo exclusivo. A organização do catálogo de produtos é tarefa do lojista e de seu time, do começo ao fim e de ninguém mais. Esquecer dessa premissa fará com que você tenha um ótimo carro sem os bancos e sem gasolina para andar.

5) Lojas virtuais não são de graça

Não é porque o Magento é de graça que sua loja virtual também será. Desenvolver uma loja consome tempo e experiência e isso significa dinheiro. Você pode procurar profissionais com menos experiência e eles custarão menos mas isso não dá o direito de achar que todos têm que fazer seu trabalho de graça. Eu aprendi que se um projeto que estou desenvolvendo tem poucos recursos, não é diminuindo a qualidade dos profissionais que fará com que esses recursos sejam suficientes. A melhor saída é priorizar os recursos e utilizá-los com parcimônia.

Então, se você tem pouco dinheiro, utilize da forma correta. Você precisa de uma loja virtual própria? A maioria dos lojistas não precisa mas desperdiçam 5, 10 mil reais quando poderiam ter uma loja alugada. Pior ainda, Desperdiçam tempo de desenvolvedores com orçamentos, para depois reclamar que desenvolvedores são mercenários. Você precisa de uma estrutura logística imensa, de muitos funcionários, do ERP mais caro? Precisa de todos os métodos de pagamento existentes? Reforçando: lojas virtuais custam tanto dinheiro como lojas físicas. Quando não se tem dinheiro para fazer uma loja grande no melhor ponto, o que você faz? Não procura um ponto secundário, não economiza na estrutura física? Com lojas virtuais é a mesma coisa.

6) Definam um ponto de saída e o formalizem

Um projeto não é encerrado em um simples “está pronto, até a próxima”. Ainda mais uma loja virtual que envolve N variáveis. Desde o começo, vocês devem definir onde termina o trabalho e a partir de que ponto as tarefas passam a ser integrantes de um novo contrato. Definam o que vai acontecer após o término do projeto e como o lojista poderá ter suporte. O lojista precisa ter toda a documentação de onde está seu software, como acessar, quais são os dados para isso. Esse ponto é realmente importante pois o lojista recebe um “bem na nuvem”, algo que ele não toca, não tem a propriedade e tranquilizá-lo ao informar como acessar seus dados pode fazer a diferença.

Outro ponto, definam os testes da loja e os formalizem. É realmente importante que ao entregar a loja sejam feitos testes completos, em mais de um navegador, sistema e dispositivo. É preciso também que o lojista faça esses testes e que todos os erros e defeitos sejam apontados e sanados. É comum que erros sejam criados durante o uso e se a saída do projeto não for formalizada, o desenvolvedor ou a empresa correm o risco de ficar com um eterno problema.

E você, quais responsabilidades acredita que possam estar nessa lista?

As responsabilidades de lojistas e desenvolvedores
0 votos, 0.00 média (0% pontuação)