Futuro do Magento Commerce - imagem: Wavebreak Media/Corbis

Hoje faz 8 anos que o Magento veio à vida, com o lançamento da primeira versão estável do Magento Community. Naquela época, o e-commerce era outro, a internet ainda estava em na infância do que se convencionou chamar de web 2.0 e o acesso via smartphone era uma fração do que é hoje.

Comprar pela internet era um ato de poucos e a desconfiança reinava. Pagar com cartão de crédito, nem pensar, afinal era muito arriscado. Os concorrentes: o antigo OS Commerce, um mirrado PrestaShop, um ou outro open source sem expressão e algumas plataformas próprias, desenvolvidas aqui e ali.

Nesse intervalo, o comércio eletrônico sofreu algumas revoluções: passou de algo em que poucas empresas estavam para uma obrigação universal. Hoje é consenso que se sua empresa não tem um site ou não vende pela internet, ela está condenada ao fracasso. O Magento cresceu, atingindo o posto de software de e-commerce mais utilizado no mundo, e passou a ser perseguido por inúmeras outras novas plataformas, que surgiram, cresceram, se desenvolveram. Umas estão por aí, outras morreram.

Um plugin para o WordPress, o Woo Commerce, desponta como ameaça para o Magento em número de usuários, apesar de ser uma sombra do que é o competidor mais velho em termos de recursos. O Shopify e o PrestaShop Cloud galgam posições em um espaço aberto pelo Magento Go.

Depois de ser vendido para o eBay em 2010, no final de 2015 a Magento Inc foi revendida, dessa vez para um fundo de investimentos. Ao mesmo tempo, o Magento 2 vem finalmente à luz, sem trazer grandes novidades em sua parte visível. O que se pode esperar do Magento então?

Como não tenho mais nenhum acesso a informações de bastidores da Magento (aliás, isso é um mérito do eBay, que conseguiu fechar a companhia e isolar a comunidade), só posso afirmar coisas que eu imagino que possam acontecer – e que estão em linha com o que eu faria nesse momento.

  • O Magento 2 não terá fôlego frente aos concorrentes – não é que o software é ruim e que ele está condenado a ser jogado no lixo. Porém, ele é um Magento 1 melhorado e não trouxe novidades que possam recolocar o Magento na vanguarda. Ao mesmo tempo, plataformas concorrentes avançaram muito nesses anos.
  • Será necessário desenvolver um Magento 3 do zero – mais do que isso, em pouco tempo. A Magento Inc. precisa sair da casca, olhar os competidores e fazer uma avaliação do que quer ser. Se vai focar de vez no mercado de médias e grandes lojas, terá que pensar em um produto que atenda aos novos requisitos e esquecer a Community. A partir disso, fechar seus desenvolvedores e construir uma plataforma ainda mais estável e sem os problemas decorrentes da inclusão sem controle de módulos feitos sem padrão.
  • Se for manter a comunidade, será preciso reconstrui-la – a tão falada comunidade open source em torno do Magento acabou há alguns anos. Em 2007, 2008, havia profissionais que realmente se empenhavam em construir funções e trabalhavam para que o Magento fosse melhor. Hoje, temos profissionais que receberam tudo pronto e não se preocupam em compartilhar. Mais do que isso, buscam o Magento simplesmente porque ele é completo e de graça, sem entender as responsabilidades que isso traz. Isso vale para o Brasil, para os Estados Unidos, para a Índia ou para a Europa.
  • É preciso mudar o esquema dos módulos e dos temas – mesmo que isso signifique custos maiores. Os grandes problemas que eu enfrento estão diretamente relacionados a módulos mal escritos, sem qualquer padrão, em uma mentalidade de “se der errado, não é problema meu”. É preciso que os módulos passem a ser revisados e certificados e que os padrões de código sejam melhor definidos.

Não estou dizendo que o Magento não serve e deve ser ignorado. Penso que hoje ele ainda é uma excelente plataforma, que pode ser usada para pequenos ou grandes projetos, se você tiver as pessoas certas trabalhando. O que mudou é que hoje não sou mais tão radical a achar que o Magento é a única solução a ser adotada. Vamos ver quais serão os próximos passos da Magento Inc. e se o Magento Commerce reencontrará seu esplendor (espero que sim!).

Qual é o futuro do Magento?
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