Assim como no ano passado, nesse segundo semestre decidi escrever uma nova série de artigos que possam ajudar no planejamento de lojas virtuais e auxiliar empreendedores a pensar nas estratégias para o ano novo que começa em breve. Esse artigo é o primeiro de uma série de três artigos falando sobre o planejamento de sua loja virtual para 2014.

Planejamento para 2014 - imagem: Jonathan Kitchen/Digital VisionNão dá mais para postergar. Estamos quase chegando no mês de outubro e dali até o final do ano, o tempo voa. No ano passado, você achou que ainda dava tempo e deixou para pensar em seu planejamento no “mês seguinte”, mas esse mês nunca chegou. Ou melhor, chegou e passou e o ano de 2013 está quase acabando e você nunca teve coragem de fazer o planejamento, trabalhando em sua empresa sem direção ou uma ideia concreta de para onde está indo. Tudo bem, você chegou até aqui mas será que não sente que poderia ter ido mais longe ou que as coisas poderiam ter sido mais fáceis? Não sente que você perdeu oportunidades e que não estava preparado para fazer sua empresa realmente crescer? Você já parou para pensar que as coisas podem tomar outro rumo se você parar e planejar?

O ano de 2013 ainda tem salvação e o ano de 2014 está pronto para ser conquistado por aqueles que se prepararem para isso. Nesse e nos próximos dois artigos da série “Planejamento para 2014″, vamos falar sobre isso. Como sempre, a ideia não é escrever tratados ou criar novos conceitos. É justamente o contrário disso: fazer planejamento não é difícil e não precisa de grandes conhecimentos. Portanto, falta de tempo, conhecimento ou ferramentas não são desculpas. Vamos começar já a preparar a sua loja virtual para o ano novo que vem por aí e que esse planejamento traga muitos resultados, vendas e lucros.

1) Como foi o ano de 2012? E como está sendo o de 2013?

Não dá pra pensar o futuro sem pensar no presente e sem pensar no passado. Se você fez o planejamento nos anos anteriores, é hora de pegar e relê-los com atenção. É importante que você tente retornar ao espírito de quando montava aqueles planejamentos e como estava vendo as coisas, para tentar entender onde acertou e onde errou e o porquê disso. Olhar o planejamento e rabiscar em cima dele, marcando os principais pontos é um ótimo exercício para dar a partida no planejamento de 2014.

Se você não montou o planejamento nos anos passados, não há problema. A única questão é que você não terá como comparar na hora de avaliar a situação atual. Quando você avalia os dois anos anteriores e tenta entender o que aconteceu, você está buscando as premissas para seguir em frente. Assim, no nosso caso, você deve investigar os anos de 2012 e 2013, tentando responder às seguintes perguntas:

  • Qual era a minha situação ou a situação de minha empresa no começo de 2012? Qual era a estrutura existente, quais produtos eram vendidos, qual era a capacidade de atender os consumidores?
  • Como eu estava vendo o mercado? O que eu esperava dos meus consumidores e dos meus concorrentes? Como eles se comportavam no começo do ano passado?
  • Durante o ano de 2012, o que mudou? Quais foram os principais movimentos dos meus concorrentes? Onde eles acertaram e onde eles erraram? Como isso se refletiu no resultado da minha empresa?
  • Das metas previstas para 2012 (se você tinha as metas por escrito), quantas e quais foram cumpridas? Quais foram as principais ações para que essas metas fossem atingidas? Por outro lado, quantas e quais não foram cumpridas e por quê?
  • O que mudou de 2012 para 2013? O meu planejamento mudou? Como o mercado mudou? Meus consumidores sofreram mudanças nesse período? Como os meus concorrentes se posicionaram?
  • E principalmente a pergunta: o que eu esperava de 2013 será atingido? Se não, o que eu posso mudar ainda em 2013 para que chegue mais perto desses objetivos?

O resultado dessa análise e discussão interior não precisa ser formalizado. A melhor estratégia para esse tipo de avaliação é um caderno em branco onde você possa rabiscar à vontade (eu prefiro o caderno pra rabiscar, mas você pode ser mais moderno e usar o editor de textos ou o seu tablet, a escolha é sua). Todas essas ideias vão servir como base para a confecção de seu plano.

2) Como você está vendo o mercado?

Quando você chegar nesse ponto, é bem provável que já tenha a resposta a essa pergunta na ponta da língua. Não adianta olharmos o mercado como uma fotografia, mas sim como um filme. Se você colocou a sua empresa em perspectiva, já conseguiu detectar quais são as tendências do mercado e para onde seus consumidores e seus concorrentes estão caminhando. As perguntas-chave nesse tópico são:

  • Os consumidores estão satisfeitos com o meu catálogo de produtos?
  • Eles estão dispostos a continuar consumindo, nas mesmas condições e com o mesmo preço e qualidade? Quais são seus anseios, quais são os questionamentos que seus consumidores fazem para você?
  • Quais são as dúvidas e angústias que os consumidores estão apresentando? Eles pedem melhorias em seus produtos? Eles pedem novas formas de comprar e utilizar seus produtos?
  • Como seus concorrentes estão se mexendo? É possível detectar algum movimento que possa modificar o mercado?
  • Como o movimento de seus concorrentes vai afetar a sua loja virtual? Existe a chance de algum concorrente sair do mercado ou ser comprado por alguma empresa maior? Existe a chance de algum concorrente tentar uma manobra para dominar o mercado?

Planejamento de lojas virtuais - imagem: Media Photos/VettaEssa parte do planejamento pode ser rabiscada, mas já começa a pedir uma apresentação mais formal. Coloque em um documento todas essas impressões e procure realçar as tendências que você acredita que possam ser dominantes, os caminhos que o mercado está sinalizando que vai seguir. Se você quiser adiantar, já pode começar a separar linhas que você acha que serão oportunidades a serem aproveitas, bem como situações que são ameaças a serem evitadas. Se não, vamos trabalhar isso mais adiante.

3) Quais são suas perspectivas pessoais para o ano de 2014?

Antes de a gente passar pro direcionamento das oportunidades e ameaças, vamos fazer uma pausa para avaliar o maior interessado nesse planejamento: você, dono da empresa. Quais são suas perspectivas pessoais para o ano de 2014? O que você espera conseguir no ano que vai nascer? Quais são seus objetivos? O que você espera ter conquistado quando estiver revisando tudo isso no final do ano que vem?

Não seja simplista a ponto de dizer que quer saúde e dinheiro. Você precisa ir mais além pois seus objetivos não podem ser abrangentes já que quanto mais vaga uma coisa é, mais difícil é de se conquistar e principalmente de saber que se conquistou. Então, pare algumas horas para refletir sobre seus desejos pessoais e sobre o que você espera pra 2014. Coloque todos esses anseios no papel e busque definir como você fará para atingir cada um deles e como a sua empresa ajudará na realização disso.

Alguns anos atrás eu escutei uma máxima simples, mas verdadeira: a empresa tem que ser o reflexo dos sócios. Se os sócios não sabem para onde eles querem ir, como a empresa pode ter uma direção?

4) Quais são as oportunidades e ameaças que você vê?

Hora de fazer a mixagem entre situação da empresa nos anos anteriores, tendências de mercado, oportunidades, ameaças e anseios pessoais do sócio ou dos sócios. Talvez essa seja a parte mais complicada de todo o processo de planejamento, pois é preciso ter duas palavrinhas em inglês: feeling e timing. Feeling é o sentimento que você tem em relação a tudo isso que foi levantado. Timing é a velha questão de qual é a hora certa de colocar tudo isso em prática.

Assim, a grande pergunta que você deve responder é a que define esse tópico mas para isso, você deve ter em mente:

  • Oportunidades não são simplesmente ideias ou possibilidades. Oportunidades têm que ser realmente viáveis e têm que trazer resultado para a empresa. Durante o ano, um empreendedor vê uma série de ideias e possibilidades, mas pouquíssimas são oportunidades. Dentro do cenário levantado, quais são as verdadeiras oportunidades que merecem ser trabalhadas?
  • Dentro dessas oportunidades, quais são as que devem ser trabalhadas primeiro e quais devem ficar para um segundo momento?
  • O que realmente é uma ameaça? Um concorrente não é sempre uma ameaça, ele pode até mesmo ser uma oportunidade, se ele trabalhar para abrir mercado para sua empresa.

Se você tiver as oportunidades e as ameaças bem estruturadas, fazer o planejamento será fácil, como eu disse. Quando sabemos identificar corretamente essas duas linhas, é muito mais simples definir recursos, estruturar objetivos e prazos, reforçar os pontos fortes e neutralizar os pontos fracos. Trabalhe nisso durante esse próximo mês e seguiremos falando de oportunidades e ameaças, pontos forte e pontos fracos no próximo artigo.

Série Planejamento para 2014

Parte 1 – Analisando o cenário

Parte 2 – Estruturando o plano

Parte 3 – Preparando os recursos

Planejamento para 2014 – parte 1 – Analisando o cenário
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