Porquinho e Poupança - imagem: Anthony Bradshaw/Photographer's ChoiceVou sair um pouco da minha linha convencional para abordar um tema que está longe de ser o meu campo de conhecimento e que certamente merece uma discussão muito mais aprofundada. Ainda assim, vou correr o risco e colocar algumas ideias sobre economia e a situação que o Brasil está vivendo. É importante termos isso em mente e procurarmos entender para onde o mercado vai caminhar, para sabermos como agir e reagir, especialmente agora, que estamos perto de iniciar o planejamento para 2014.

Não quero ser profético, mas dois ou três anos atrás comentava com pessoas próximas que a situação não poderia se sustentar e que era necessário se preparar para possíveis dificuldades. Infelizmente, o brasileiro não consegue poupar: por mais que ele se esforce, nossa poupança é mínima – não sei se não é uma das menores do mundo. Existem várias teorias pra isso mas me parece plausível a ideia de que, após longo período com uma economia turbulenta, desaprendemos a planejar o futuro. Nosso povo tem uma cultura de que a única forma de conseguir as coisas é através do crediário e que realmente precisamos ter as coisas e o quanto antes as tivermos melhor.

Quem olhasse com cuidado para a economia há algum tempo, veria que o crescimento não era sustentável. A maior parte das vendas estava vindo do endividamento com bens supérfluos, isto é, bens que apenas servem para satisfazer o nosso ego. O emprego cresceu, as vendas cresceram, a economia avançou mas infelizmente não avançou sobre uma base sólida e agora, no momento em que começamos a desacelerar, essa conta vem com mais força, com efeitos ainda mais fortes.

Outro problema visível era o reajuste dos salários. Desde 2011 que os trabalhadores pedem reajustes e reajustes, em índices que chegaram a 30%, com aumento de benefícios e bonificações. A grande questão é que a economia não é elástica e se alguém quer ter mais sem que seja gerada a riqueza correspondente, outra pessoa vai pagar a conta. A conta está sendo cobrada agora. Por exemplo, se um caminhoneiro quer ganhar mais, ele pode trabalhar mais ou se qualificar para produzir mais no mesmo tempo. Se não acontece nem um coisa, nem outra, esse aumento de salário que ele solicitou terá que ser cobrado de alguém.

Como esse aumento foi possível? Através do repasse de custos para quem utiliza os serviços. E quem utiliza os serviços? Somos nós, que precisamos do caminhão para tudo, desde a entrega de alimentos, passando por medicamentos até bens duráveis. Se me lembro bem das aulas de economia na faculdade, isso se chama “inflação inercial”, onde um aumento puxa o outro indefinidamente. Infelizmente isso já aconteceu e agora será muito mais difícil de controlar. Da forma como isso se encaminha, não espero grandes avanços nos próximos anos, já que a inflação e a incerteza corroem uma economia e retardam o avanço do país.

Como planejar-se para 2014?

A vida continua e nossas empresas terão que seguir em frente mesmo com as dificuldades. Não podemos ficar parados e esse horizonte deve estar em nosso planejamento para 2014. Certamente, eu estarei envolvido em planejamentos para o ano que vem, seja da Gugliotti Consulting e suas operações, seja em clientes que dou consultoria. Se eu puder dar algumas dicas para o seu planejamento, as dicas seriam essas:

  • essa é a hora em que um planejamento é essencial: quando a economia anda bem, os erros são facilmente absorvidos pelos acertos, mas quando a economia patina e os recursos são escassos, a eficiência é fundamental. E sem um bom planejamento, revisado constantemente, não há como ser eficiente
  • não é a hora de grandes saltos, a menos que se tenha muita certeza do que está fazendo: o mercado terá uma tendência à volatilidade e mudanças constantes, o que aumentará o risco. Nesses tempos, é melhor avançar poucos passos bem dados do que querer avançar grandes passos em uma única cartada. Seu plano A deve conter o que você realmente conseguirá fazer e dar margens de manobras para corrigir os desvios
  • tenha o plano B e o plano C: o plano B é obrigatório, mas tempos de crise pedem um plano C. Não trabalhe com recursos limitados e tenha uma folga para suportar eventuais tombos e mudanças de rumo
  • prepare-se para calotes: infelizmente, esse é o pior lado da recessão. Muitas empresas não conseguirão honrar seus compromissos e você deve ter um fluxo de caixa que suporte os atrasos nos recebimentos e até mesmo um eventual calote
  • corte os gastos, mas não corte o essencial: quando as coisas começam a apertar, a tendência é começarmos a cortas os custos, demitindo funcionários e reduzindo publicidade. Concordo que os custos são a parte principal a se ter em mente em tempos de economia patinando, mas não corte onde você deixará de ganhar dinheiro. Funcionários-chave devem ser valorizados e motivados para que continuem trabalhando com satisfação, pois eles serão os responsáveis pela qualidade do seu serviço. Marketing e publicidade são a forma de trazer clientes para a sua empresa e mostrar o quanto o seu produto e serviço são necessários. Se você corta nessas duas áreas apenas para reduzir gastos, está selando seu destino
  • não demore a agir: a última dica é simples e curta. Épocas de baixa não dão tempo para pensarmos. É preciso agir o quanto antes

Dando tudo certo, essa baixa na economia será passageira e em 2015 o cenário será bem mais otimista. Vamos fazer a nossa parte?

Inflação, economia, planejamento
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