Lojas Magento com consultoria incluída

Passo a passo para abrir uma loja virtual – parte 1

Esse post foi inspirado em um post da Magento Specialists, uma empresa da Itália, e o post original em italiano pode ser lido aqui. Procurei manter a ordem dos itens e seguir parte do texto original, para trazer outros pontos de vista aos leitores do blog. Porém há muito mais itens quando se fala de uma loja virtual, como já mostrei em diversos artigos como a série de Planejamento de Lojas Virtuais.

Caravela - imagem: Jordi Paya Canals/FlickrVocê quer abrir uma loja virtual e está perdido? Não se sinta sozinho pois a maioria das pessoas não sabe por onde começar nem o que fazer quando se deseja abrir uma loja virtual. Como você já sabe, cada caso é um caso, mas vou procurar apontar e ilustrar os principais pontos para se iniciar uma loja virtual aqui no Brasil. Lembre-se: esse é só um roteiro e você deve buscar ajuda especializada, como contabilistas e consultores, para avaliar especificamente as características de seu negócio específico. Esse post foi dividido em duas partes e a continuação vai ao ar na semana que vem!

1) Questões legais

Não é porque sua loja é online que sua empresa tem que ser virtual. Sim, eu sei que o Brasil não estimula os empresários, não dá incentivo aos empreendedores e que nosso governo quer a sua fatia desde o primeiro dia de operação, mas não é ficando na ilegalidade que isso será resolvido. Se você vai abrir uma loja virtual, precisa ter em mente de que precisará ter uma empresa formalizada. Você precisa ter um endereço físico, um CNPJ e todas as demais inscrições e alvarás necessários à sua operação. Também deverá verificar como emitir notas fiscais e como será feita a contabilidade, quais os procedimentos para que você compre as mercadorias de seus fornecedores e venda para seus consumidores.

Infelizmente, ainda que não seja justo, se você começar a vender seus produtos sem ter uma empresa registrada isso pode te trazer muita dor de cabeça. Se você ainda não testou sua ideia e acha que o risco não compensa o investimento, melhore sua pesquisa de mercado, avalie como seus concorrentes estão se posicionando e converse com um contabilista para avaliar as formas mais baratas de operar legalmente na área em que você quer trabalhar.

2) Domínio e Hospedagem

Ter uma loja virtual não é de graça! Ainda que você instale e configure o Magento por conta própria, deverá investir em um provedor de hospedagem para sua loja. Conforme a plataforma escolhida, você pode escolher uma loja virtual sob demanda, onde você paga uma mensalidade fixa para ter a plataforma funcionando, ou contratar uma conta convencional de hospedagem. Nesse segundo caso, ainda é possível utilizar uma conta compartilhada (a mais comum nos provedores brasileiros), uma VPS, um Cloud Server ou Servidor Dedicado. Os custos variam bastante entre essas diferentes opções e se o site será hospedado no Brasil ou nos Estados Unidos.

O domínio é o endereço da loja, como minhaloja.com.br. Pense em um endereço fácil e que tenha a ver com seu negócio, mas lembre-se de que sua marca também é importante. Isso significa que talvez você deva ter dois ou três domínios registrados, sempre apontando para o domínio principal. Os domínios *.com.br podem ser registrados no Registro.br e custam R$ 30,00 por ano (com valores menores para registros mais longos).

De qualquer forma, não saia comprando domínios ou hospedagem antes de saber exatamente o que vai fazer. O melhor momento pra isso é quando o desenvolvedor for contratado, pois ele poderá auxiliar nesse processo e indicar as melhores alternativas.

3) Plataforma

Como adiantei no último tópico, há diversas opções e plataformas de lojas virtuais. Se você estiver começando e ainda não tem uma base sólida para prever o retorno do investimento ou o risco do negócio, é muito mais interessante começar com uma loja sob demanda, onde o seu investimento é baixíssimo, você mesmo cria a loja, e o custo é mensal. Se não der certo, basta fechar a loja. Se der, aí você pode pensar em fazer uma loja, maior, com a sua cara.

Entre as plataformas, há lojas virtuais proprietárias, em que você não tem acesso ao código e perde tudo ao romper o contrato com a empresa, e as lojas opensource, onde o sistema é instalado em uma conta de hospedagem da empresa contratante, que tem total acesso ao código e pode mudar de fornecedor quando quiser. Para saber mais sobre como escolher seu modelo de loja virtual, consulte esse post.

4) Tema

O tema é a cara que sua loja virtual terá, o layout, o design, o visual. Como falei em um post no começo do ano, há alguns tipos de temas para Magento e você deve verificar qual é a melhor escolha conforme a fase e as necessidades de seu negócio. Antes de abrir sua loja virtual, você já deve ter uma base de como será a cara de sua loja, o que seu público está procurando e como ele navegará por sua loja. Para lhe ajudar a escolher o tema, navegue pelas lojas de seus principais concorrentes e também dê uma olhada nos modelos disponíveis nas lojas de temas.

Um ponto é importante na escolha de seu tema: ele deve ser responsivo, isto é, deve se adaptar a múltiplos equipamentos e telas, seja monitores em computadores convencionais, seja laptops, tablets ou smartphones. O layout deve ser automaticamente redimensionado quando as telas são alteradas, de modo a buscar a melhor experiência, sem cortes ou elementos empilhados.

Pra essa semana, é isso. Semana que vem, no próximo post falaremos de catálogo de produtos, meio de envio e pagamento e manutenção de sua loja virtual!

Deficiências do Magento no Brasil

deficiências do Magento - imagem: Buena Vista/Digital Vision

No mês de março, o Magento completou seis anos de sua primeira versão estável, a Community Edition 1.0. Como aquele antigo comercial, nesse tempo, “muita coisa mudou”, mas a essência continua a mesma: o Magento foi pensado como uma plataforma estável e robusta, mas com espaço para que desenvolvedores e empresas se baseassem nele, construíssem novos módulos, desenvolvessem novas funcionalidades e ajudassem empresas a ter suas lojas virtuais. E no Brasil? Como anda o mercado de Magento no Brasil e quais são as deficiências que rondam a plataforma, especialmente em terras tupiniquins?

Esse post não é propriamente um elogio ou um post otimista, mas eu ainda trabalho com Magento e ainda acho que a plataforma tem mais alguns anos de vida. No entanto, diversos problemas seguem sem solução e precisam ser, se não atacados, ao menos do conhecimento dos desenvolvedores e lojistas que querem ter sua loja em Magento pra que possam entender como utilizar corretamente a plataforma.

O Magento não é de graça

A base de todas as deficiências que o Magento enfrenta no Brasil está em um conceito que foi compreendido de maneira errônea: “o Magento é de graça” ou “não é preciso pagar pelo Magento”. Essa afirmação é totalmente fora da realidade, já que o que não se paga é pela licença de uso, ou seja, qualquer pessoa pode usar o Magento sem ter que pagar nada para a Magento Inc., dona da plataforma. Isso não significa que não seja necessário ter conhecimentos sobre lojas virtuais, instalação de sistemas web ou gerenciamento de servidores; não significa também que você não precisa ter um domínio ou que não gaste com manutenção do provedor ou com profissionais para fazer as atualizações e correções em sua loja.

Isso vai na mesma linha da “free beer” ou da cerveja open source. Se a cerveja é livre, quer dizer apenas que a fórmula da cerveja é conhecida e pode ser reproduzida por qualquer pessoa sem interferência do criador. Isso não quer dizer que a cerveja é de graça: quem quiser tomar a cerveja, terá que investir nos componentes e no processo de fabricação ou então, comprar a cerveja de um produtor – que não precisou investir em pesquisa e desenvolvimento e utilizou o trabalho de outra pessoa que por sua vontade resolveu distribuir a fórmula.

A falta de profissionais e empresas sérias

Já falei algumas vezes nesse blog sobre os profissionais em Magento (para ler outros posts, só buscar por profissionais Magento na caixa de busca) e infelizmente a situação não muda. Sigo recebendo questionamentos de lojistas que pagaram caro (às vezes até 10 mil reais) por serviços de “desenvolvimento de lojas virtuais” que nunca foram entregues e cujos profissionais não tinham feito uma loja Magento sequer.

Muitos desenvolvedores ainda seguem com o pensamento de simplesmente vender uma loja virtual para as empresas sem se preocupar se elas terão condições de gerenciar ou se o negócio é viável, restringindo-se a entregar um pacote padrão, muitas vezes sem qualquer conexão com o negócio em questão. Essa postura pode parecer vantajosa no momento – se o lojista quer uma loja, é obrigação dele saber se o negócio é bom ou não, diriam – mas todos perdem no longo prazo.

O brasileiro não tem cultura de planejamento e acha que fazer plano de negócios é perda de tempo. Com isso, milhares de reais são desperdiçados, já que ao invés de eles serem investidos e continuarem a girar a roda da economia, aquela empresa quebrará em poucos meses, deixando de gerar receita.

No começo de 2012, houve um movimento para a qualificação e certificação de empresas de Magento no Brasil. Naquela época, chegou-se a ter doze empresas certificadas, aptas a vender licenças da Enterprise Edition e preparadas para construir boas lojas em Magento. Isso seria seguido pela entrada efetiva da Magento Inc. no Brasil, que naufragou. O resultado atual é que a maioria delas deixou de ser certificada ou sequer está trabalhando com Magento e o Brasil continua com menos desenvolvedores certificados que a Bielorrússia.

Tropicalização

Seis anos depois e os lojistas ainda sofrem com lojas mal adaptadas ao mercado brasileiro e com a necessidade de diversos módulos para integração com serviços que existem apenas para atender a burocracia. O mesmo pode ser dito de módulos de integração a métodos de pagamento, que mesmo lançados por seus provedores como módulos oficiais, apresentam erros primários e mal funcionamento.

Provedores despreparados

A maioria dos provedores de hospedagem brasileiros  (não disse todos, eu disse a maioria) não está preparada para lidar com Magento. Isso acontece com base em dois fatores: o Magento precisa de recursos para rodar e os custos de hospedagem dedicada no Brasil são caros.

Uma loja pequena poderia utilizar uma hospedagem compartilhada sem problemas se os provedores não abusassem da quantidade de clientes em um mesmo espaço, o que faz com que o site não aguente e saia do ar ou fique muito lento. Se o cliente quiser passar para uma conta dedicada ou mesmo uma VPS, os custos acabam sendo proibitivos para uma empresa inicial. Daí, por economia (e falta de esclarecimento), o lojista prefere ficar com a loja deficiente mas com um custo fixo menor.

Os provedores também não investiram em suporte especializado em Magento. Alguns problemas são clássicos e poderiam ser resolvidos facilmente, com pequenos ajustes e otimizações. No entanto, a regra geral é que se quer rodar Magento, é preciso contratar um plano mais caro e resolver as dificuldades por conta própria.

A cultura do jeitinho

Por fim, a cultura do jeitinho também impera no e-commerce. O modelo open source pede que se devolvam as contribuições para a comunidade e que se respeite o trabalho dos outros. Aqui não acontece nem um, nem outro. Uma prova disso é que até hoje não temos uma versão customizada para o Brasil, que já “saia de fábrica” com os módulos e as adequações necessárias. Outro problema são os módulos e temas pirateados: seguidamente encontro temas sendo revendidos no Mercado Livre, sem que a licença dê essa possibilidade ou então módulos sendo utilizados várias vezes, por lojas diferentes.

O Magento é baseado no open source e nasceu como um projeto de uma empresa que queria compartilhar seus esforços com a comunidade e dela receber feedback, correções e melhorias. Aqui no Brasil, ele pegou como o “software de lojas gratuitas”, que é pesado, não tem profissionais e dá dor de cabeça. Dá pra mudar essa imagem mas até quando vamos esperar?

Dez coisas que você precisa saber sobre temas no Magento (de novo)

Dez coisas que você precisa saber sobre temas no Magento (de novo)

Há mais de três anos, eu escrevi um artigo chamado Dez coisas que você precisa saber sobre um tema no Magento. Pra aproveitar o lançamento do novo livro de Temas, achei que valia a pena atualizar esse artigo. Alguns itens não mudaram, é claro!

caminho das pedras - imagem: Philip Lee Harvey/Cultura

Temas são a área do Magento que dão mais dor de cabeça. Não que temas sejam mais complicados que módulos, pelo contrário, mas creio que justamente por essa falsa aparência de que “não é difícil” e porque muitos profissionais pensarem que “um tema de Magento não pode ser mais complicado que um layout em WordPress”, é sempre neles que a corda arrebenta. Se você quer trabalhar com temas, já escrevi alguns artigos no blog que somados podem ajudar bastante e podem constituir um roteiro.

Mas se você quer dar o primeiro passo, então essas são as dez coisas essenciais que você precisa saber sobre temas no Magento, na versão 2014. Vamos a eles:

  1. Isso nunca vai mudar! Antes de trabalhar com temas no Magento, lembre-se de desabilitar o cache. O cache é a coleção de arquivos que responde pela construção mais rápida de uma página da loja, de modo que ela esteja como “pré-pronta”: ao invés de reunir dezenas de arquivos a cada vez que uma página é solicitada, o cache do Magento deixa essa página montada em um arquivo, salvando tempo e recursos do servidor. Mas, o cache faz com que a página seja na verdade uma fotografia do passado e se você estiver fazendo alterações no tema, quer vê-las na hora! Portanto, vá em Sistema > Gerenciar Cache, marque todas as opções, selecione Desativar e deixe assim até que a loja vá para o ambiente de produção.
  2. Antes de querer desenvolver um tema do zero, considere a possibilidade de comprar um tema para Magento, pronto, já construído e disponibilizado em uma loja de temas. Ao usar um tema pronto, você normalmente tem acesso a todos os arquivos com as fontes e pode personalizá-lo como desejar. É muito mais fácil, rápido e barato modificar um tema que já esteja pronto, do que construí-lo do zero.
  3. Seja comprando um tema pronto ou partindo do zero, você precisará fazer alterações no tema. Lembre-se que os arquivos estão divididos em duas pastas – /app/design e /skin. A primeira concentra os arquivos do Layout, Locale e do Template enquanto a segunda é o próprio Skin. Dentro delas, você encontrará os pacotes de design, que são famílias de temas, como /meu-tema/default e /meu-tema/versao-1, além do Base/Default. Procure entender as funções de cada área de um tema no Magento e mantenha a organização dos arquivos.
  4. Nunca, jamais, em hipótese alguma, nem mesmo com ordem do Papa Francisco (sim, ele é admirado por todos, mas não entende muito de Magento), altere os arquivos do tema Base/Default. Esse tema faz parte da instalação nativa do Magento e como o próprio nome diz, serve como base para os temas personalizados. Se você alterar esses arquivos, certamente enfrentará problemas em sua loja virtual, acredite em mim e aceite esse fato.
  5. Pra construir um tema personalizado, você deve verificar as alterações a serem feitas, localizar os arquivos que respondem por essas alterações e cloná-los em seu tema, respeitando o caminho. Por exemplo, para alterar a posição do bloco do Carrinho, na lateral, é preciso modificar o arquivo checkout.xml. Esse arquivo originalmente está disponível em /app/design/frontend/base/default/layout/ e você deve cloná-lo para o caminho /app/design/frontend/meu-tema/default/layout, mantendo o arquivo original intocado e fazendo as mudanças no arquivo que estará na pasta de seu tema. Clone apenas os arquivos que você utilizará; quem não for modificado, deve permanecer apenas no tema Base/Default.
  6. Se você estiver perdido ao determinar qual arquivo é responsável pela modificação que você precisa fazer, utilize a ferramenta Dicas de Caminhos de Template. Ela está disponível em Sistema > Configuração :: Desenvolvedor > Debugar :: Exibir Caminho das Telas. Porém, essa função só é exibida se você selecionar um nível diferente de Todas as Lojas. Então, depois de navegar pelo caminho dado, vá no canto superior esquerdo, busque a caixa Aplicar Em e clique no nome do Website ou da Visão de Loja, para selecioná-la e liberar o acesso. Aí, basta salvar e atualizar seu site para que a mágica aconteça.
  7. Você pode usar a arquitetura default/meu-tema, isto é /app/design/frontend/default/meu-tema, ao invés de meu-tema/default. O Magento vai funcionar porém você terá que lidar com mais arquivos caso queira utilizar as variações de tema, como layouts específicos para promoções ou épocas festivas. Portanto, sempre prefira utilizar pacotes de design próprios, fora do default do Magento, isto é, meu-tema/default, meu-tema/variacao-1, meu-tema/variacao-2  e assim sucessivamente.
  8. O Magento tem a ferramenta de tradução inline, mas eu não recomendo seu uso. Ao invés disso, construa suas traduções do modo tradicional, usando as entradas corretas de texto no Template e criando o arquivo CSV com as correspondências no Locale. Seu tema sempre deve ter as entradas em inglês, com o CSV tanto em inglês como no idioma a ser utilizado na loja virtual.
  9. Quando você estiver pensando no design, tenha em mente a estrutura modular de um tema no Magento. Quanto mais complicado for um design, quanto mais distante ele estiver do tema Base/Default, mais tempo será investido no desenvolvimento e portanto, maior orçamento requerido. Além disso, não se esqueça que muitas funções precisam de módulos adicionais e esses módulos também precisam ser customizados.
  10. Você pode vender temas em Magento! Depois que você ficar bom em temas, que tal começar a ganhar dinheiro com isso? As principais lojas de temas têm modelos para compra de temas, pagando um valor definido, ou inserção no marketplace, em que seu tema fica disponível e você recebe uma comissão pelas vendas.

E você, tem mais itens a serem inseridos nessa lista? Acha que algum item da lista de 2010 deve voltar a aparecer aqui? Os comentários estão abertos.

Você quer um marketplace?

Você quer um marketplace?

Marketplaces - imagem: Matthias Tunger/Digital VisionHá pelo menos quatro anos escuto os clientes falando de shopping virtuais, espaços onde é possível concentrar diferentes lojas, de vários lojistas ou empresas, em um mesmo espaço. O mercado evoluiu e a moda agora é o marketplace, um único site que reúne lojistas da mesma área, como por exemplo roupas, calçados, artigos esportivos e tudo mais que se possa imaginar. Parece que o marketplace e suas gordas comissões aliadas à perspectiva de pouco trabalho são a nova fronteira. Todos querem ter um marketplace para chamar de seu.

A expectativa não poderia estar tão distante da realidade. Um marketplace dá mais trabalho que uma loja virtual comum e a série de pontos a serem definidos requerem três vezes mais planejamento e preparação. Sem falar que os custos para a implantação e viabilização de um marketplace são maiores que de uma loja virtual comum – há plataformas dedicadas ao modelo de marketplace cujas licenças passam de 150 mil dólares. Você quer um marketplace? Vamos aos pontos que envolvem esse novo negócio.

1) O desejo do mercado evoluiu, as ferramentas não

Quatro anos atrás, um pouco depois de o Magento ter sido lançado, haviam dois conceitos bastante procurados: o primeiro era a ideia de montar um serviço de locação de lojas virtuais, usando a ferramenta de multi-sites do Magento, para oferecer lojas separadas, cada um em seu endereço web e sem conexão entre elas. Esse modelo foi seguido por alguns provedores que oferecem lojas virtuais prontas, baseadas em Magento.

O segundo já era o precursor do marketplace atual, vendendo lojas virtuais a um preço mais baixo, utilizando uma instalação centralizada e cobrando por porcentagem do faturamento. O Magento Community permite abrir as múltiplas lojas mas não permite segmentar os gestores em áreas diferentes. E mesmo baseando suas lojas na Enterprise Edition, haviam conflitos entre os modelos de negócios, limitando a operação. Quando os potenciais clientes percebiam que a customização era muito cara, os projetos não seguiam adiante.

O mercado evoluiu e hoje os lojistas querem suas lojas próprias, com instalação única e exclusiva, para não ficarem atrelados a um provedor. Como falei em um post no começo desse ano, minha expectativa é que lojas menores não permaneçam com estrutura própria, já que o custo é muito alto e não deve diminuir. Em paralelo, o desejo do shopping virtual mudou de foco: agora a onda é um único endereço que concentre lojistas da mesma área, como complemento (ou até mesmo substituição) de sua loja virtual principal. Mas as ferramentas que temos para isso são basicamente as mesmas de quatro anos atrás e o que vem sendo desenvolvido deixa a desejar.

2) As ferramentas prontas não dão conta do recado

Basicamente, se você for construir um marketplace em cima do Magento terá duas opções de módulos: o da Unirgy e o da Webkul. Não testei o módulo da Webkul mas uma informação na lista de características do módulo já restringe seu mercado em mais da metade: ele não trabalha com produtos configuráveis. No Magento, os configuráveis são os produtos que permitem incluir a caixa de seleção, como tamanho e cor em uma camiseta ou a voltagem em um produto elétrico. Sem isso, é possível construir os produtos mas a apresentação fica pouco intuitiva e limita o crescimento do marketplace.

O módulo da Unirgy, por outro lado, é bem completo e permite customizações em um nível mais alto. Trabalhei no planejamento de dois marketplaces e pude acompanhar o desenvolvimento de um deles junto com nosso parceiro e posso dizer que infelizmente a plataforma ainda deixa a desejar, especialmente quando se pensa no mercado brasileiro. Há dois módulos que podem ser utilizados – o Unirgy uDropship e o Unirgy uMarketplace – e a impressão que passa é que as coisas foram empurradas para dentro à força, com configurações espalhadas por inúmeras páginas, sem uma ordem ou um processo lógico.

A documentação é nula, a intuição ficou de fora e pra que o módulo seja configurado é preciso ir adivinhando as coisas, quase farejando para descobrir a forma correta, em uma sequência interminável de tentativas e erros. O suporte do desenvolvedor é instável e consegue ser gentil e grosseiro na mesma medida. Pra completar, nativamente ele não está adaptado para o Brasil e é preciso fazer uma serie de correções e customizações, elevando bastante os custos iniciais.

Ainda durante a confecção desse post, foi lançado um novo módulo, pela Apptha. Não pude ir a fundo e portanto ainda não tenho uma opinião formada sobre ele.

3) Diferenças entre Marketplace e Dropship

Ainda há uma outra questão quando se fala na construção do marketplace: qual é o modelo que você adotará? Muitas pessoas estão confundindo marketplace com dropship. Marketplace é um espaço único onde vários lojistas são colocados lado a lado, compartilhando um espaço mas tendo suas próprias lojas e sendo responsáveis por elas. Já o Dropship é um esquema em que uma loja única trabalha diretamente com o estoque de seus fornecedores. Assim, toda a gestão dos produtos e atendimento ao cliente é feita pelo lojista, mas o produto é enviado pelo fornecedor diretamente ao cliente, sem passar pelo lojista.

São modelos diferentes e você deve definir qual será sua abordagem antes de fazer qualquer coisa. Os requisitos variam bastante: no Dropship, apenas o estoque é externo e o pagamento é feito pelo consumidor diretamente ao lojista enquanto no Marketplace, o pagamento deve ser destinado aos lojistas, ficando o dono do empreendimento apenas com o valor da comissão.

4) Buscando os fornecedores

Há uma ilusão de que basta abrir o marketplace para que os fornecedores façam fila em sua porta e queiram vender em seu shopping virtual. Infelizmente, no Brasil ainda estamos um ou dois estágios atrás e lojas virtuais simples ainda enfrentam sérios problemas de gestão. Não dá pra esperar que você pode apenas entregar o login e senha para o vendedor e ele fará todo o resto. Você precisará ser parceiro de seu vendedor desde o começo, analisando como ele pode ganhar dinheiro colocando seus produtos em sua loja, como ele deverá cadastrar, como será a gestão e a operação, que tipos de promoções poderão ser feitas e como será o atendimento ao consumidor.

Quando alguém compra em seu shopping virtual, você assume a responsabilidade solidária por aquela venda e mesmo que a transação seja entre o consumidor e o vendedor, é a sua marca e seu nome que estão em jogo, além da possibilidade de conquistar ou perder clientes. Quando você estiver buscando seus fornecedores e vendedores, tenha em mente que vocês serão parceiros no sucesso de seu marketplace e que todos os lados precisam ganhar.

5) Como fazer o recebimento das vendas

Há uma questão que merece atenção: como seu consumidor pagará pelas compras e como esse dinheiro transitará até os vendedores? Atualmente, apenas o Moip oferece uma solução para recebimento dos pedidos e envio do dinheiro diretamente ao vendedor e o PayPal já tem essa solução lá fora. Avalie com seu contador como isso pode ser feito para que você não tenha problemas futuros.

6) De quem é a responsabilidade pelas entregas?

Normalmente, a responsabilidade pelas entregas é do vendedor. Para isso, ele deve receber um e-mail com o pedido, os produtos comprados e os dados do comprador, além da confirmação do pagamento. Mas e se houver algum problema com o vendedor e ele não cumprir com a entrega? Ou se o consumidor se arrepender do pedido e solicitar a devolução e reembolso? Você deve prever essas situações e saber como agir, pois como disse antes, você terá responsabilidade solidária sobre a venda.

7) Você está pronto para gerenciar um marketplace?

E por último, você sabe gerenciar uma loja virtual isolada, única? Entende o processo de gestão de marketing, atendimento aos consumidores, organização e gestão do catálogo de produtos, como trabalhar com promoções e como gerenciar os pedidos? Você precisa dominar esses processos em uma loja isolada antes de pensar em gerenciar um marketplace, já que você precisará dar suporte a todos os lojistas que integrarem seu sistema.

Apesar do tom pessimista, não é essa a ideia: apenas gostaria que você refletisse e se preparasse antes de se lançar nessa empreitada. Sua saúde e seu bolso agradecerão.